A linguagem existe para comunicar. E comunicar é essencial, porque é, antes de tudo, uma prática social. Para que a comunicação aconteça de forma eficaz, dois elementos são fundamentais: intenção comunicativa e o funcionamento dos elementos da comunicação.
Linguagem e Interacionismo Sociodiscursivo (ISD)
Segundo o Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), o discurso é compreendido como prática ou processo de linguagem. O texto carrega o sentido e é sempre materializado e construído socio-historicamente.
A linguagem funciona como uma ponte entre o sujeito e o mundo, sendo esse sujeito inevitavelmente afetado por seu lugar social.
Tipos e Gêneros Textuais
Tipos Textuais
Cada tipo textual possui uma estrutura característica e uma finalidade comunicativa específica:
Descritivo
Injuntivo
Dissertativo Argumentativo
Dissertativo Expositivo
Narrativo
Gêneros Textuais
Os gêneros textuais são formas concretas de uso da linguagem. Alguns exemplos:
Relato
Receita
Artigo de opinião
Verbete
Anúncio
Conto
Leis
Slogans
Para que um gênero seja reconhecido como tal, ele precisa ter uma estrutura relativamente estável, mesmo que flexível.
Domínios Discursivos
Cada gênero textual circula em um domínio discursivo, ou seja, um campo social específico:
Jornalístico – divulgar e comentar fatos
Publicitário – uso de linguagem verbal e não verbal de forma breve
Instrucional – visa orientar ações do receptor
Literário – busca o prazer estético
Acadêmico/Científico – voltado à produção de conhecimento
Documental/Jurídico – validade social e legal
Íntimo e Pessoal – comunicação intrapessoal
Religioso – disseminação de doutrinas de fé
Institucional – produz efeito de verdade e autoridade
Suporte e Enunciação
O suporte (mídia, plataforma, formato) é o local onde o gênero textual irá circular — um fator essencial para garantir eficiência comunicativa.
Enunciado e Enunciação
Enunciado: é o “dito”, a menor parte de um texto. Repetível, pois ocorre em diferentes contextos.
Enunciação: é o ato de dizer, a apropriação da língua no momento da fala. É não repetível e representa a instância de mediação entre a língua e a fala.
Essa instância se concretiza por meio de categorias linguísticas que permitem a passagem da língua (sistema) para a fala (uso real).
Categorias da Enunciação
Deixis (ou dêiticos): marcam pessoa, tempo e espaço
Embriadores: elementos que ativam o conhecimento da língua + situação de enunciação
Dialogismo e Heterogeneidade
A linguagem é sempre dialógica. Todo enunciado está, de alguma forma, em diálogo com outro. Isso leva ao conceito de heterogeneidade, que afirma que todo discurso é atravessado pela palavra do outro.
Tipos de Heterogeneidade
Constitutiva – o discurso do outro é essencial ao novo discurso (ex.: discurso direto e indireto)
Mostrada – marcada ou não marcada (ex.: discurso indireto livre)
Polifonia
A polifonia rompe com a ideia de uma única voz no discurso. Toda enunciação carrega várias vozes, mesmo quando não explicitadas.
Formas de Discurso
Discurso Direto – uso claro e marcado das palavras do outro
Discurso Indireto – o discurso do outro é incorporado à fala do enunciador
Discurso Indireto Livre – fusão entre a fala do autor e a fala do personagem
Essas formas são marcas de heterogeneidade e intertextualidade.
Intertextualidade: O Outro no Texto
A intertextualidade ocorre quando um texto retoma outro texto ou discurso. Isso pode ser:
Explícito – as fontes são claramente indicadas
Implícito – sem mencionar diretamente a fonte
Essa retomada é sempre intencional e pode reafirmar ou contestar o sentido do texto original.
Classificação da Intertextualidade
Paráfrase – reafirma o texto-fonte com pouca ou nenhuma modificação
Apropriação – retoma com distanciamento e estranhamento, comum nas artes
Paródia – ironiza ou contesta o texto-fonte, gerando humor
Estilização – mistura elementos da paráfrase e da paródia com liberdade criativa
Argumentação: Persuadir e Posicionar
A argumentação visa convencer, persuadir ou afirmar algo com efeito de verdade. Envolve raciocínio, ponto de vista e o ethos (imagem do enunciador).
Tipos de Argumento
Autoridade – baseada na fala de especialistas
Evidência – fatos ou dados constatáveis
Comparação – elementos externos para reforçar uma tese
Exemplificação – uso de estatísticas e exemplos concretos
Princípios – saberes já legitimados socialmente
Causa e Consequência – relação de causa determinante para justificar um efeito
Modalizadores
Expressam o julgamento, a obrigação ou o afeto do enunciador em relação ao que é dito. Estão presentes em adjetivos, advérbios, verbos, pontuação, metáforas, inferências etc.
Tipos de Modalizadores:
Epistêmicos – expressam certeza ou dúvida
Asseverativos: “realmente”
Quase-asseverativos: “possivelmente”
Delimitadores: “tecnicamente”
Deontológicos – expressam obrigação: “deve”, “precisa”
Afetivos – mostram sentimento: “infelizmente”, “sinceramente”
Esses elementos são essenciais na construção de sentido do texto.
Coesão, Coerência e Designação
Coesão: ligações gramaticais e sintáticas no texto
Coerência: unidade lógica das ideias
Designação: atribuição de sentido a uma palavra em um contexto específico, exigindo interpretação do interlocutor.
