Ao contrário da escrita acadêmica, a literatura não exige que você cite referências constantemente, indicando metodicamente quem, quando e onde determinada ideia foi mencionada. Na literatura, as referências estão lá, incorporadas à obra, como parte intrínseca dela. Cabe ao leitor colher as sementes dessas referências, num trabalho de descoberta e interpretação. Essa mesma dinâmica das referências escondidas transcende os textos. Um termo que faz morada em mim desde que o ouvi é o de “aparato cultural”. Conheci essa expressão em 2017, durante uma aula de Fundamentos da Linguagem Visual no curso de Artes Visuais. O objetivo da professora ao citar tal termo era o de ensinar um grupo de calouros como analisar uma imagem, identificando as possíveis referências que o artista utilizou para compor a obra. Refletindo sobre essa construção de sentidos, lembrei das colchas de retalhos que minha avó fazia. Eram feitas de tecidos que, por vezes, não combinavam entre si, mas que eu reconhecia em ca...