Ao contrário da escrita acadêmica, a literatura não exige que você cite referências constantemente, indicando metodicamente quem, quando e onde foram mencionadas. Na literatura, as referências estão lá, incorporadas à obra, como parte intrínseca dela. Cabe ao leitor colher as sementes dessas referências, num trabalho de descoberta e interpretação. Um termo que faz morada em mim desde que o ouvi é o de “aparato cultural” . Conheci essa expressão em 2017, durante uma aula de Fundamentos da Linguagem Visual no curso de Artes Visuais. O objetivo da professora a citar tal termo era o de ensinar um grupo de calouros como analisar uma imagem, identificando as possíveis referências que o artista utilizou para compor a obra. Refletindo sobre essa construção de sentidos, lembrei-me das colchas de retalhos que minha avó fazia. Eram feitas de tecidos que, por vezes, não combinavam entre si, mas que eu reconhecia em casas de outros parentes, com formas e funções diferentes. Sem perceber, minha avó...
Este post é uma colaboração com todos que o leram, possível vir uma parte 2, mas não sei quando nem se terá. Arte é uma ideia difícil de se conceituar, mas uma fala me chamou muito a atenção: “arte é expressão”. Essa frase, para mim, é extremamente simplória. Vou explicar o meu ponto. Para que fique claro o que estou tentando dizer, é necessário construir uma linha de pensamento. Usarei a seguinte pergunta norteadora para isso: “Afinal, o que é arte?”. Arte nunca foi ou será uma coisa só. O que posso afirmar logo de cara é que ela está presente na história humana há um bom tempo. Definir a arte como expressão, nesse sentido, é limitante e me soa como uma fala de falta de aparato cultural, pois a base teórica que conceitua a arte como expressão a coloca como a expressão do outro, a forma de um artista comunicar um sentimento vivido, a fim de provocar o mesmo sentimento na pessoa ou de se relacionar com a obra. Ou seja, limita a arte ao espectador sentir uma emoção ou identificação v...